terça-feira, 22 de julho de 2008
domingo, 6 de julho de 2008
Sexta Sexy
Queridas,
Esta sexta, 11/07, a programação no Rio tá bombando!!!
Vamos ter 4as. Intenções, no Rio G Spa, e Hey Ladies, na pista 2 do Dama!!! Hey Ladies vai fazer uma participação especial na festa Se Joga_no Edy.
Dj DeFatima vai discotecar na 4as. Intenções e as DJs Bree e Miss Silk vão arrebentar lá no Dama!
Venham se jogar no Dama e se deliciar com um relax na sauna e drinks entre amigas no Rio G Spa!
VAI SER AHAAAAAAZO!
Abaixo, seguem os detalhes importantes:
Data: 11 de julho, sexta-feira
Hora:
23h30 - 4as. Intenções
23h - Se Joga, Hey Ladies entra às 3h
Endereços:
Dama de Ferro: R. Vinícius de Moraes, 288
Rio G Spa: R. Teixeira de Melo, 16
Se Joga/Hey Ladies - Informações:
Lista amiga: punkdbutique@hotmail.com
Mais info em:
Preços:
Se Joga/Hey Ladies: Até 1h com nome na lista - R$10
Até as 3h com nome na lista - R$15
Depois das 3h ou sem nome na lista- R$25

4as. Intenções - Informações e ingressos antecipados:8143-6036 - 4asintencoes@gmail.com
Comunidade:
Preços:
4as. Intenções: R$ 20,00 (antecipado)
R$ 25,00 (na hora)
Esta sexta, 11/07, a programação no Rio tá bombando!!!
Vamos ter 4as. Intenções, no Rio G Spa, e Hey Ladies, na pista 2 do Dama!!! Hey Ladies vai fazer uma participação especial na festa Se Joga_no Edy.
Dj DeFatima vai discotecar na 4as. Intenções e as DJs Bree e Miss Silk vão arrebentar lá no Dama!
Venham se jogar no Dama e se deliciar com um relax na sauna e drinks entre amigas no Rio G Spa!
VAI SER AHAAAAAAZO!
Abaixo, seguem os detalhes importantes:
Data: 11 de julho, sexta-feira
Hora:
23h30 - 4as. Intenções
23h - Se Joga, Hey Ladies entra às 3h
Endereços:
Dama de Ferro: R. Vinícius de Moraes, 288
Rio G Spa: R. Teixeira de Melo, 16
Se Joga/Hey Ladies - Informações:
Lista amiga: punkdbutique@hotmail.com
Mais info em:
Preços:
Se Joga/Hey Ladies: Até 1h com nome na lista - R$10
Até as 3h com nome na lista - R$15
Depois das 3h ou sem nome na lista- R$25

4as. Intenções - Informações e ingressos antecipados:8143-6036 - 4asintencoes@gmail.com
Comunidade:
Preços:
4as. Intenções: R$ 20,00 (antecipado)
R$ 25,00 (na hora)
quarta-feira, 2 de julho de 2008
A Stasi das curvas femininas
Minha coluna Folha de S. Paulo de ontem fala da SPFW e da Quartas Intenções, festa na sauna produzida por Silvia Paz:
Um padrão de beleza menos famélico não faria das modelos cabides menos eficazes para as criações das grifes
CECILIA GIANNETTI [dj bree]
ESTA COLUNA VAI para as meninas que fazem pequenos cortes com gilete nas coxas que consideram grossas demais; para as mulheres que entram na faca em lipoesculturas arriscadas e desnecessárias. E para a gente incapaz de estabelecer mentalmente a diferença entre uma modelo bem paga que desfila no São Paulo Fashion Week e a estudante que desfila em festinhas de faculdade.
O assunto predominante na última SPFW foi a "obesidade" da modelo tcheca Karolina Kurkova. Como diria meu avô, eu já estava p**** dentro da roupa para escrever sobre isso. Passou-se uma semana desde o acontecido, mas nunca é tarde para se comentar asneiras daquele naipe.
No sábado, dia 21, o stylist Paulo Martinez afirmou aos jornais: "Achei ela obesa, foi um erro trazê-la", referindo-se à top Karolina.
Concordamos que modelos internacionais que recebam cachês estratosféricos para desfilar de biquíni devem vir secas -como pede o padrão da moda. Porém, a obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença grave. Chamar de obesa Karolina Kurkova é um exagero irresponsável de quem se esqueceu de que existe um mundo fora daquele dos desfiles.
Irresponsável porque atinge de maneira negativa meninas que podem morrer em função de distúrbios alimentares -e mulheres comuns que morrem por dentro por se acharem inadequadas até para arranjar um parceiro, sair na rua ou, simplesmente, comprar um vestido. A modelo jamais deveria ter aceitado uma grana preta para exibir a bunda onde celulites haviam teimado em aparecer. Mas chamá-la de "obesa" mexe com mulheres que vivem fora desse universo onde é comum uma adulta vestir 32.
Gente comum que não está doentiamente acima do peso -só fora do que a Stasi do binômio moda-mídia demanda- entra em parafuso com tamanhas exigências. Um padrão de beleza menos famélico não faria das moças que desfilam profissionalmente cabides menos eficazes para as criações das grifes. E tornaria menos infelizes mulheres que sofrem por não se encaixar -em roupas e no padrão de beleza.
A regra do raquitismo ultrapassa o ambiente onde a moda é produzida, entra sem cerimônia no nosso dia-a-dia, sem que a gente o peça. E mexe com a cabeça de muita gente boa.
A modelo tcheca foi apedrejada com adjetivos equivocados por ter ultrapassado os, sei lá, 45 quilos considerados normais para pessoas de 1,90 m de altura. Tal incongruência invade uma realidade na qual isso não deveria existir como um padrão comparativo. Chamar de "obesa" aquela mulher gostosa é como dar uma instrução à população feminina: "Alimentem-se exclusivamente de alface, comprimidos de Desobesi e água". Graças à inanição dessa dieta estúpida, em breve você perderá muitos quilos, saúde e a capacidade de fazer sinapses. Viva!
Na mesma semana do Kurkova Gate fui cobrir a "Quartas Intenções", promovida por Silvia Paz -primeira festa exclusivamente para mulheres em uma sauna gay no Rio de Janeiro. Fêmeas de todos os tamanhos e formas circulavam de toalha ou biquíni. As menos tímidas, seminuas. A ala masculina da Stasi da SPFW teria ficado roxa de ódio com a diversidade vista por lá; não havia dedos acusatórios: "Celulites! Obesa!". Fato: neste caso, mulher gosta muito mais de mulher do que alguns homens poderão jamais apreciá-las. Porque, como diria a fofa Bridget Jones, é preciso gostar "do jeitinho que ela é".
Um padrão de beleza menos famélico não faria das modelos cabides menos eficazes para as criações das grifes
CECILIA GIANNETTI [dj bree]
ESTA COLUNA VAI para as meninas que fazem pequenos cortes com gilete nas coxas que consideram grossas demais; para as mulheres que entram na faca em lipoesculturas arriscadas e desnecessárias. E para a gente incapaz de estabelecer mentalmente a diferença entre uma modelo bem paga que desfila no São Paulo Fashion Week e a estudante que desfila em festinhas de faculdade.
O assunto predominante na última SPFW foi a "obesidade" da modelo tcheca Karolina Kurkova. Como diria meu avô, eu já estava p**** dentro da roupa para escrever sobre isso. Passou-se uma semana desde o acontecido, mas nunca é tarde para se comentar asneiras daquele naipe.
No sábado, dia 21, o stylist Paulo Martinez afirmou aos jornais: "Achei ela obesa, foi um erro trazê-la", referindo-se à top Karolina.
Concordamos que modelos internacionais que recebam cachês estratosféricos para desfilar de biquíni devem vir secas -como pede o padrão da moda. Porém, a obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença grave. Chamar de obesa Karolina Kurkova é um exagero irresponsável de quem se esqueceu de que existe um mundo fora daquele dos desfiles.
Irresponsável porque atinge de maneira negativa meninas que podem morrer em função de distúrbios alimentares -e mulheres comuns que morrem por dentro por se acharem inadequadas até para arranjar um parceiro, sair na rua ou, simplesmente, comprar um vestido. A modelo jamais deveria ter aceitado uma grana preta para exibir a bunda onde celulites haviam teimado em aparecer. Mas chamá-la de "obesa" mexe com mulheres que vivem fora desse universo onde é comum uma adulta vestir 32.
Gente comum que não está doentiamente acima do peso -só fora do que a Stasi do binômio moda-mídia demanda- entra em parafuso com tamanhas exigências. Um padrão de beleza menos famélico não faria das moças que desfilam profissionalmente cabides menos eficazes para as criações das grifes. E tornaria menos infelizes mulheres que sofrem por não se encaixar -em roupas e no padrão de beleza.
A regra do raquitismo ultrapassa o ambiente onde a moda é produzida, entra sem cerimônia no nosso dia-a-dia, sem que a gente o peça. E mexe com a cabeça de muita gente boa.
A modelo tcheca foi apedrejada com adjetivos equivocados por ter ultrapassado os, sei lá, 45 quilos considerados normais para pessoas de 1,90 m de altura. Tal incongruência invade uma realidade na qual isso não deveria existir como um padrão comparativo. Chamar de "obesa" aquela mulher gostosa é como dar uma instrução à população feminina: "Alimentem-se exclusivamente de alface, comprimidos de Desobesi e água". Graças à inanição dessa dieta estúpida, em breve você perderá muitos quilos, saúde e a capacidade de fazer sinapses. Viva!
Na mesma semana do Kurkova Gate fui cobrir a "Quartas Intenções", promovida por Silvia Paz -primeira festa exclusivamente para mulheres em uma sauna gay no Rio de Janeiro. Fêmeas de todos os tamanhos e formas circulavam de toalha ou biquíni. As menos tímidas, seminuas. A ala masculina da Stasi da SPFW teria ficado roxa de ódio com a diversidade vista por lá; não havia dedos acusatórios: "Celulites! Obesa!". Fato: neste caso, mulher gosta muito mais de mulher do que alguns homens poderão jamais apreciá-las. Porque, como diria a fofa Bridget Jones, é preciso gostar "do jeitinho que ela é".
sábado, 21 de junho de 2008
Juuuuuura?
O homossexualismo não vai contra a natureza
ENTREVISTA / ANDREA CAMPERIO CIANI
O homossexualismo não vai contra a natureza
Geneticista diz que os genes que tornam homens mais propensos a se tornarem gays são transmitidos por suas mães
SE O HOMOSSEXUALISMO não estimula a reprodução, como ele pode sobreviver à seleção natural? A resposta para essa charada, um quebra-cabeça secular da biologia, está ganhando agora uma resposta coerente, que sobreviveu ao primeiro teste de lógica. Defendida pelo biólogo Andrea Ciani, a nova teoria indica que o homossexualismo masculino tem um componente genético herdado por parte de mãe, e os genes por trás dele são os mesmos que, em mulheres, estimulam a fertilidade.
RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL
Ciani, geneticista da Universidade de Pádua (Itália), apresentou as bases da teoria na terça-feira -cifrada em um estudo cheio de fórmulas matemáticas- na revista "PLoS One".'
Com longa experiência em estudos com macacos, o cientista tem se dedicado nos últimos anos a um outro tipo de primata: o Homo sapiens. O que ele aprendeu com seu trabalho? "O homossexualismo não é contra a natureza."
Em entrevista à Folha, Ciani abre mão da estatística e traduz o significado de sua teoria.
FOLHA - O que diz seu estudo?
ANDREA CAMPERIO CIANI - Eu publiquei uma pesquisa em 2004 em que mostrei que homossexualismo em homens está conectado com um aumento na fertilidade das mães e avós da linhagem materna desse indivíduos. O que fiz agora nesse estudo para a "PLoS" foi desenvolver isso. Nós já sabíamos o que estava ocorrendo, mas não entendíamos a dinâmica, não tínhamos o modelo correto.
FOLHA - Como vocês criaram o modelo correto?
CIANI - Nós procuramos modelos genéticos que já existiam [para explicar outras características] e seguimos quatro pré-requisitos empíricos. O primeiro é que o homossexualismo está presente em todas as populações humanas. O segundo, que não há nenhuma população em que a maioria das pessoas sejam homossexuais. O terceiro é aquele que tiramos de dados empíricos: que o homossexualismo tende a seguir em famílias pela linha materna. Isso significa que se você é homossexual, há uma probabilidade maior de o seu tio materno sê-lo. O quarto, que achamos em 2004, é que mães e tias da linha materna de homossexuais costumam ter proles maiores.
Na literatura científica há muitos modelos para difusão genética de características. Há modelos que testam a difusão com um único "locus" [gene], outros com mais genes. Quando começamos a testar os modelos com dois genes, todos falharam, exceto um, que é esse modelo da "seleção sexualmente antagonística", baseado em dois genes em dois diferentes cromossomos. Um tem que ser no cromossomo X -que os homens recebem apenas de suas mães-, e o outro pode ser nos cromossomos não sexuais. Só esse modelo explicou todos os pré-requisitos que encontramos empiricamente.
Foi uma coisa inesperada. É a primeira vez que um modelo de seleção sexualmente antagonística funciona para uma característica humana. O modelo mostra características peculiares, que dão uma vantagem reprodutiva para um sexo, e dão desvantagem para outro.
O normal é imaginar que um determinado gene dá vantagem para todas as pessoas que o carregam. Mas genes como esses ligados à homossexualidade humana dão vantagem quando estão em mulheres, porque as fazem produzir mais prole, mas ao mesmo tempo criam desvantagem reprodutiva em homens, com a possibilidade de se tornarem homossexuais.
FOLHA - Isso não pode ser causado por um fator social ou psicológico?
CIANI - Nós estudamos apenas os componentes genéticos, mas não estou dizendo que o homossexualismo é determinado pelos genes. Ele é apenas influenciado. Há outros componentes, biológicos, psicossociais, experiência de vida...
FOLHA - Mas como ocorre essa influência? Como é a fisiologia?
CIANI - Eu fiz uma pesquisa sobre isso. É muito difícil, porque tive que estudar mães e tias. Na Itália não é difícil entrevistar homossexuais. Você os encontra em bares gays ou discotecas, e eles costumam estar dispostos a falar. Mas quando você pede para contatar suas mães e parentes, a coisa fica delicada.
Talvez esses genes dêem a elas uma fertilidade maior, porque favorecem uma taxa menor de abortos naturais. Ou, de outra forma, poderia lhes dar uma personalidade mais extrovertida, que facilitasse entrar em relações. Nós achamos uma evidencia tênue de que essas mães e tias têm menos problemas com reprodução e parto, em geral. Já em personalidade, não achamos nada. Mas ficamos surpresos com outra coisa: mães e tias desses homossexuais, durante suas histórias de vida, se sentiram mais atraídas por homens do que as mães e tias de heterossexuais. Então, estamos procurando fatores genéticos que, de alguma maneira, influenciem a androfilia, a atração por homens. Isso significa que, se você for mulher, você se sente mais atraída por homens e, se você for homem, se tornará ligeiramente mais atraído por homens e pode acabar se tornando homossexual.
FOLHA - Mas como isso ocorre na célula? Vocês apontam para algum gene específico, algum hormônio?
CIANI - Eu estudo genética do comportamento. Então, quando eu sei algo, sei que existem genes de como esse traço se comporta. Uma vez que você descobre como o caractere controla o traço, não importa saber exatamente onde ele está. Algumas pessoas que tentam descobrir isso têm razões com as quais eu não concordo. Caçadores de genes às vezes querem vender uma patente envolvendo a localização do gene para fazer negócio. Poderiam, aí, sugerir algo que possa evitar que seu filho se torne gay ou sua filha lésbica. Não concordo com isso. Estou interessado na natureza humana, não em "vender" um filho "melhorado" para quem quer que seja.
FOLHA - Mas seu trabalho pode ajudar os caçadores de genes.
CIANI - Sim, mas agora eles teriam uma restrição maior. Isso não é uma doença, é um traço que confere vantagem reprodutiva a um dos sexos e desvantagem a outro. Se alguém interferir aí, pode mudar a orientação de um filho, mas também pode influenciar de maneira ruim a sua filha. Se há um gene ali e não é o gene de uma doença, significa que existe uma razão para ele estar lá.
FOLHA - Gays se sentirão melhor ao saber que a natureza, não só a criação, influencia suas opções?
CIANI - A comunidade gay sempre fica muito infeliz quando pessoas falam sobre esse assunto e os jornalistas começam a usar manchetes como "Descoberto o gene gay". Isso é besteira. Nós, geneticistas comportamentais, sabemos há muito tempo que o debate de natureza contra criação é fútil. Todos os genes têm de se expressar em um ambiente. O ambiente influencia a expressão do gene, assim como o gene influencia o ambiente onde ele se expressa. Vou dar um exemplo. Todos nós temos genes que favorecem o roubo, porque se não tivermos o comportamento do roubo, não sobreviveremos em uma emergência onde ele pode ser necessário. Isso não significa que sejamos forçados a sermos ladrões.
Há genes influenciando algumas pessoas, tornando mais fácil para elas optar pela homossexualidade. Ser ou não ser homossexual, porém, é resultado de história de vida, além de genes. O que queremos saber é por que os genes que influenciam a homossexualidade existem. Um gene que reduz a taxa de reprodução das pessoas deveria desaparecer. Esse é o dilema darwiniano da homossexualidade. A posição da Igreja tem sido por muito tempo a de dizer que o homossexualismo seria um vício, um pecado contra a natureza. Com o nosso estudo, podemos dizer claramente que o homossexualismo não vai contra a natureza. Ele faz parte da natureza, e é demonstrado precisamente pela seleção sexual darwiniana.
FOLHA - O sr. também está estudando as lésbicas?
CIANI - Sim. Eu comecei a coletar muitos dados sobre lésbicas dois anos atrás, mas nosso modelo não funciona com lesbianismo. Esse é um fenômeno diferente, com uma dinâmica diferente e uma origem diferente.
FOLHA - O sr. tem dificuldade para publicar seus estudos?
CIANI - Muitos estudos são rejeitados em algumas revistas científicas. Uma hora antes de você me telefonar, um jornalista da revista "Science" me telefonou, porque estava fazendo uma matéria para o "público geral". Foi estranho, porque eu tinha submetido meu estudo para a "Science", antes da "PLoS", e eles rejeitaram dizendo que não era "de interesse geral". Não mandaram nem para os revisores.
Próximo Texto: Frases
Índice
Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.
ENTREVISTA / ANDREA CAMPERIO CIANI
O homossexualismo não vai contra a natureza
Geneticista diz que os genes que tornam homens mais propensos a se tornarem gays são transmitidos por suas mães
SE O HOMOSSEXUALISMO não estimula a reprodução, como ele pode sobreviver à seleção natural? A resposta para essa charada, um quebra-cabeça secular da biologia, está ganhando agora uma resposta coerente, que sobreviveu ao primeiro teste de lógica. Defendida pelo biólogo Andrea Ciani, a nova teoria indica que o homossexualismo masculino tem um componente genético herdado por parte de mãe, e os genes por trás dele são os mesmos que, em mulheres, estimulam a fertilidade.
RAFAEL GARCIA
DA REPORTAGEM LOCAL
Ciani, geneticista da Universidade de Pádua (Itália), apresentou as bases da teoria na terça-feira -cifrada em um estudo cheio de fórmulas matemáticas- na revista "PLoS One".'
Com longa experiência em estudos com macacos, o cientista tem se dedicado nos últimos anos a um outro tipo de primata: o Homo sapiens. O que ele aprendeu com seu trabalho? "O homossexualismo não é contra a natureza."
Em entrevista à Folha, Ciani abre mão da estatística e traduz o significado de sua teoria.
FOLHA - O que diz seu estudo?
ANDREA CAMPERIO CIANI - Eu publiquei uma pesquisa em 2004 em que mostrei que homossexualismo em homens está conectado com um aumento na fertilidade das mães e avós da linhagem materna desse indivíduos. O que fiz agora nesse estudo para a "PLoS" foi desenvolver isso. Nós já sabíamos o que estava ocorrendo, mas não entendíamos a dinâmica, não tínhamos o modelo correto.
FOLHA - Como vocês criaram o modelo correto?
CIANI - Nós procuramos modelos genéticos que já existiam [para explicar outras características] e seguimos quatro pré-requisitos empíricos. O primeiro é que o homossexualismo está presente em todas as populações humanas. O segundo, que não há nenhuma população em que a maioria das pessoas sejam homossexuais. O terceiro é aquele que tiramos de dados empíricos: que o homossexualismo tende a seguir em famílias pela linha materna. Isso significa que se você é homossexual, há uma probabilidade maior de o seu tio materno sê-lo. O quarto, que achamos em 2004, é que mães e tias da linha materna de homossexuais costumam ter proles maiores.
Na literatura científica há muitos modelos para difusão genética de características. Há modelos que testam a difusão com um único "locus" [gene], outros com mais genes. Quando começamos a testar os modelos com dois genes, todos falharam, exceto um, que é esse modelo da "seleção sexualmente antagonística", baseado em dois genes em dois diferentes cromossomos. Um tem que ser no cromossomo X -que os homens recebem apenas de suas mães-, e o outro pode ser nos cromossomos não sexuais. Só esse modelo explicou todos os pré-requisitos que encontramos empiricamente.
Foi uma coisa inesperada. É a primeira vez que um modelo de seleção sexualmente antagonística funciona para uma característica humana. O modelo mostra características peculiares, que dão uma vantagem reprodutiva para um sexo, e dão desvantagem para outro.
O normal é imaginar que um determinado gene dá vantagem para todas as pessoas que o carregam. Mas genes como esses ligados à homossexualidade humana dão vantagem quando estão em mulheres, porque as fazem produzir mais prole, mas ao mesmo tempo criam desvantagem reprodutiva em homens, com a possibilidade de se tornarem homossexuais.
FOLHA - Isso não pode ser causado por um fator social ou psicológico?
CIANI - Nós estudamos apenas os componentes genéticos, mas não estou dizendo que o homossexualismo é determinado pelos genes. Ele é apenas influenciado. Há outros componentes, biológicos, psicossociais, experiência de vida...
FOLHA - Mas como ocorre essa influência? Como é a fisiologia?
CIANI - Eu fiz uma pesquisa sobre isso. É muito difícil, porque tive que estudar mães e tias. Na Itália não é difícil entrevistar homossexuais. Você os encontra em bares gays ou discotecas, e eles costumam estar dispostos a falar. Mas quando você pede para contatar suas mães e parentes, a coisa fica delicada.
Talvez esses genes dêem a elas uma fertilidade maior, porque favorecem uma taxa menor de abortos naturais. Ou, de outra forma, poderia lhes dar uma personalidade mais extrovertida, que facilitasse entrar em relações. Nós achamos uma evidencia tênue de que essas mães e tias têm menos problemas com reprodução e parto, em geral. Já em personalidade, não achamos nada. Mas ficamos surpresos com outra coisa: mães e tias desses homossexuais, durante suas histórias de vida, se sentiram mais atraídas por homens do que as mães e tias de heterossexuais. Então, estamos procurando fatores genéticos que, de alguma maneira, influenciem a androfilia, a atração por homens. Isso significa que, se você for mulher, você se sente mais atraída por homens e, se você for homem, se tornará ligeiramente mais atraído por homens e pode acabar se tornando homossexual.
FOLHA - Mas como isso ocorre na célula? Vocês apontam para algum gene específico, algum hormônio?
CIANI - Eu estudo genética do comportamento. Então, quando eu sei algo, sei que existem genes de como esse traço se comporta. Uma vez que você descobre como o caractere controla o traço, não importa saber exatamente onde ele está. Algumas pessoas que tentam descobrir isso têm razões com as quais eu não concordo. Caçadores de genes às vezes querem vender uma patente envolvendo a localização do gene para fazer negócio. Poderiam, aí, sugerir algo que possa evitar que seu filho se torne gay ou sua filha lésbica. Não concordo com isso. Estou interessado na natureza humana, não em "vender" um filho "melhorado" para quem quer que seja.
FOLHA - Mas seu trabalho pode ajudar os caçadores de genes.
CIANI - Sim, mas agora eles teriam uma restrição maior. Isso não é uma doença, é um traço que confere vantagem reprodutiva a um dos sexos e desvantagem a outro. Se alguém interferir aí, pode mudar a orientação de um filho, mas também pode influenciar de maneira ruim a sua filha. Se há um gene ali e não é o gene de uma doença, significa que existe uma razão para ele estar lá.
FOLHA - Gays se sentirão melhor ao saber que a natureza, não só a criação, influencia suas opções?
CIANI - A comunidade gay sempre fica muito infeliz quando pessoas falam sobre esse assunto e os jornalistas começam a usar manchetes como "Descoberto o gene gay". Isso é besteira. Nós, geneticistas comportamentais, sabemos há muito tempo que o debate de natureza contra criação é fútil. Todos os genes têm de se expressar em um ambiente. O ambiente influencia a expressão do gene, assim como o gene influencia o ambiente onde ele se expressa. Vou dar um exemplo. Todos nós temos genes que favorecem o roubo, porque se não tivermos o comportamento do roubo, não sobreviveremos em uma emergência onde ele pode ser necessário. Isso não significa que sejamos forçados a sermos ladrões.
Há genes influenciando algumas pessoas, tornando mais fácil para elas optar pela homossexualidade. Ser ou não ser homossexual, porém, é resultado de história de vida, além de genes. O que queremos saber é por que os genes que influenciam a homossexualidade existem. Um gene que reduz a taxa de reprodução das pessoas deveria desaparecer. Esse é o dilema darwiniano da homossexualidade. A posição da Igreja tem sido por muito tempo a de dizer que o homossexualismo seria um vício, um pecado contra a natureza. Com o nosso estudo, podemos dizer claramente que o homossexualismo não vai contra a natureza. Ele faz parte da natureza, e é demonstrado precisamente pela seleção sexual darwiniana.
FOLHA - O sr. também está estudando as lésbicas?
CIANI - Sim. Eu comecei a coletar muitos dados sobre lésbicas dois anos atrás, mas nosso modelo não funciona com lesbianismo. Esse é um fenômeno diferente, com uma dinâmica diferente e uma origem diferente.
FOLHA - O sr. tem dificuldade para publicar seus estudos?
CIANI - Muitos estudos são rejeitados em algumas revistas científicas. Uma hora antes de você me telefonar, um jornalista da revista "Science" me telefonou, porque estava fazendo uma matéria para o "público geral". Foi estranho, porque eu tinha submetido meu estudo para a "Science", antes da "PLoS", e eles rejeitaram dizendo que não era "de interesse geral". Não mandaram nem para os revisores.
Próximo Texto: Frases
Índice
Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Mais uma amiga
Fazendo companhia às queridas Dykerama, Gay & Ok e Universo Les, agora somos vizinhas também da Mari, que faz o bacaníssimo Queer Girls. É isso aí, moçada, e até dia 26 ;)
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Hey Ladies! - Cecilia Giannetti
Então, meu amor: num remoto fim de semana em fevereiro, entrei nas comunidades para mulheres no Orkut e fiquei decepcionada. Mesmo reunidas online, permanecíamos um gueto. Nada encontrei de festas com boa música só para mulheres na programação das comunidades dedicadas ao tema.
Minha decepcionante peregrinação pelos sites e comunidades de festas gays aconteceu há cerca de quatro meses. Naquele período, conversei online com dezenas de moças que queriam sair de casa e não tinham saco pra barzinho, onde sequer podiam segurar uma na mão da outra, que dirá beijar. Por isso criei a festa, e desde que surgiu, apareceram muitas outras, imperdíveis, seguindo sets com DJs diferentes mas na mesma linha que iniciamos no circuito carioca e faz sucesso: bom gosto musical e mulheres bonitas.
Uma delas, muito querida, já ocorria esporadicamente antes da Hey Ladies!, e retornou com datas fixas bem há tempo de se juntar à nossa bagunça. Nós freqüentamos todas, nós amamos todas. Afinal, estamos nessas festas pelo mesmo motivo (curtir som, seus pervertidos... e eventualmente conhecer *o amor*, uiuiui).
Com a proliferação de festas gays femininas no Rio de Janeiro, ganhamos muito. Porque queremos opções. Não Shane-mode options only, mas opções de locais bacanas para freqüentar longe do olhar do macho-de-plantão, aquele que acredita que vai nos "salvar do sapatismo". Ora, te crie, monte de esteróides. Não estamos interessadas.
Toda a variedade na noite gay feminina carioca era o que eu sempre quis ver desde que voltei de Berlim, onde as moças eram presença maciça. E juntinhas. Não só em cafés e bares escuros. Mas nas rua, andando de mãos dadas, com seus carrinhos de bebês ou labradores obesos pela Oranienstrasse, Kurfüstendamnm, Mitte. Eram bem-vindas em qualquer lugar, bem como homens gays, a qualquer hora do dia. Nada de Farmeganistão.
Acredito que demos um passo importante neste ano de 2008 para a conquista de maior visibilidade. Não encaro boates e festas que surgem como mera concorrência. Somos todas peças de um futuro melhor pra gente.
p.s.: por esses dias um jornal fez questão de colocar numa matéria sobre "a moda lésbica" (eles são tão antenados, não?), que "digo ser hetero". Minha resposta é apenas: "Digo o que eu quiser para repórteres que chegam na festa e constatam "Uau, existem lésbicas bonitas!". O que esperavam?
No mais, tenho recebido emails carinhosos, scraps da galera que tem curtido o som. Eu costumo tocar tarde, mesmo assim a pista fica cheia e delícia. Me sinto mais honrada assim, tarde da noite: tem gente que espera pra ouvir meu som. Não é demais?
Outra coisa: eu e a Ju (aquela moça alta, que vive bicando minha vodca) estamos discotecando em aniversários, casamentos, batizados e bar-mitzvas. Cecular: 94443204. Toquei noutro dia na festa dum autor de novela que BAFO. Me chama que eu toco de chapéu de cowboy. Rorororo.
Amo vocês.
Minha decepcionante peregrinação pelos sites e comunidades de festas gays aconteceu há cerca de quatro meses. Naquele período, conversei online com dezenas de moças que queriam sair de casa e não tinham saco pra barzinho, onde sequer podiam segurar uma na mão da outra, que dirá beijar. Por isso criei a festa, e desde que surgiu, apareceram muitas outras, imperdíveis, seguindo sets com DJs diferentes mas na mesma linha que iniciamos no circuito carioca e faz sucesso: bom gosto musical e mulheres bonitas.
Uma delas, muito querida, já ocorria esporadicamente antes da Hey Ladies!, e retornou com datas fixas bem há tempo de se juntar à nossa bagunça. Nós freqüentamos todas, nós amamos todas. Afinal, estamos nessas festas pelo mesmo motivo (curtir som, seus pervertidos... e eventualmente conhecer *o amor*, uiuiui).
Com a proliferação de festas gays femininas no Rio de Janeiro, ganhamos muito. Porque queremos opções. Não Shane-mode options only, mas opções de locais bacanas para freqüentar longe do olhar do macho-de-plantão, aquele que acredita que vai nos "salvar do sapatismo". Ora, te crie, monte de esteróides. Não estamos interessadas.
Toda a variedade na noite gay feminina carioca era o que eu sempre quis ver desde que voltei de Berlim, onde as moças eram presença maciça. E juntinhas. Não só em cafés e bares escuros. Mas nas rua, andando de mãos dadas, com seus carrinhos de bebês ou labradores obesos pela Oranienstrasse, Kurfüstendamnm, Mitte. Eram bem-vindas em qualquer lugar, bem como homens gays, a qualquer hora do dia. Nada de Farmeganistão.
Acredito que demos um passo importante neste ano de 2008 para a conquista de maior visibilidade. Não encaro boates e festas que surgem como mera concorrência. Somos todas peças de um futuro melhor pra gente.
p.s.: por esses dias um jornal fez questão de colocar numa matéria sobre "a moda lésbica" (eles são tão antenados, não?), que "digo ser hetero". Minha resposta é apenas: "Digo o que eu quiser para repórteres que chegam na festa e constatam "Uau, existem lésbicas bonitas!". O que esperavam?
No mais, tenho recebido emails carinhosos, scraps da galera que tem curtido o som. Eu costumo tocar tarde, mesmo assim a pista fica cheia e delícia. Me sinto mais honrada assim, tarde da noite: tem gente que espera pra ouvir meu som. Não é demais?
Outra coisa: eu e a Ju (aquela moça alta, que vive bicando minha vodca) estamos discotecando em aniversários, casamentos, batizados e bar-mitzvas. Cecular: 94443204. Toquei noutro dia na festa dum autor de novela que BAFO. Me chama que eu toco de chapéu de cowboy. Rorororo.
Amo vocês.
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)










